"O Bom de Bola transforma pessoas"

31/05/2016

Que o Brasil é o país do futebol, disso não há dúvidas. Mas há quem ponha à prova a ideia de que o universo do esporte é um espaço masculino. Uma dessas pessoas é Clarice Luvison, profissional de Educação Física e professora integradora da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) na cidade de Campos Novos, na região serrana do estado.

O primeiro contato de Clarice com o campeonato Bom de Bola foi em 1997. Naquele ano, a professora foi técnica do time do município de Campos novos. A experiência se repetiu no ano seguinte e despertou o desejo de trabalhar com a organização do evento, o que aconteceu em 1999. “Fui convidada pelo integrador de Joaçaba, o professor Carlos Hack, para ser mesária em Herval d´Oeste. Imaginem a minha emoção em trabalhar em um evento da Fesporte, ainda mais o Bom de Bola!”, relembra Clarice.

Em 2002 veio o convite para que ela trabalhasse na Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) da Fesporte em Campos Novos, tornando-se professora integradora em 2004. “A partir daí minha vida mudou. São doze anos à frente da organização desse maravilhoso projeto em minha região, trabalhando também nas etapas regionais Centro-Oeste com outras oito ADRs”, relembra.

Clarice nutre um grande carinho pelo Bom de Bola. “É muito gratificante trabalhar no projeto por causa da energia dos alunos. A proposta contribui muito na formação desses alunos atletas. É uma oportunidade de socialização por meio do esporte mais popular do mundo com igualdade de participação dos mais diferentes níveis sociais”. E não são somente os alunos que motivam a integradora. “Tenho uma admiração enorme pelos professores de educação física, que não medem esforços para montar as equipes mesmo sem ter tempo e nem local para treinar. Eles estão lá com toda vontade de competir e de buscar o sonho de seus alunos”, completa.

Futebol feminino e outras dificuldades

Em 2001 criou-se o projeto ‘Nossa menina jogando futebol’ para estimular a participação feminina no Bom de Bola. “Estranhei a dificuldade de manter o foco das meninas de 11 a 14 anos treinando e o fato de não termos tantas equipes. Isso me trouxe certa preocupação, mas o sucesso de um projeto tem que ter um começo. O caminho a ser percorrido será de muita luta, mas repleto de alegrias e conquistas”, garante.

Para Clarice, no entanto, essa dificuldade em motivar os jovens para a prática desportiva não se resume apenas às meninas por conta da facilitação tecnológica, com celular, TV, computador, videogames, além da própria insegurança social. “Tudo contribui para que os pais queiram os filhos ‘seguros’ em seus lares. Mas quando apresentamos um projeto escolar que oferece a oportunidade de conhecer novas pessoas e cidades, que busca a participação da criança por meio da escola, isso resgata em seus pais a vontade de ver seus filhos realizando seus próprios sonhos e desbravando novas alternativas”, explica. “É isso que torna o Bom de Bola uma competição importantíssima: o projeto transforma pessoas”, conclui.

E é com esse objetivo de transformação que Clarice e os outros professores integradores seguem se dedicando à realização do evento. “Isso propicia uma história de revelação de muitos craques, não necessariamente no esporte, mas na vida. Que menino não sonha em ser profissional do futebol ou, porque não, um professor de educação física?”, finaliza.