Professor Jacaré: formador de atletas e cidadãos

09/06/2016

A rotina do professor Adelmo Luiz Pivoto, o Jacaré, é corrida. Do nascer do sol até tarde da noite, ele se dedica às aulas de educação física na Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Manoel Gonzales e na Escola Sarandi, além de comandar cerca de 180 garotos nas categorias de base do Esporte Clube Ipiranga. Em agosto, quando completa 36 anos de residência em Sarandi, o professor Jacaré estará ansioso pelo início de mais uma etapa regional do Bom de Bola, no dia 18 do mesmo mês, em Bagé.

Jacaré é coordenador do projeto Bom de Bola no Rio Grande do Sul desde o início, em 1999. De lá para cá viveu muitas histórias. “Cada etapa é marcante, desde as regionais até as finais. São alunos e professores diferentes. A gente vê o choro deles de alegria por participar do Bom de Bola e também nos emocionamos”, conta o professor. “Já acordei às 4h para observar a condição de campo por causa de um temporal e, na hora marcada para iniciar os jogos, o sol abrir”, relembra.

Apesar de já ter treinado o time de vôlei de Sarandi por quatro anos, disputando inclusive o Campeonato Brasileiro, o professor Jacaré decidiu se dedicar ao futebol. “É um esporte incrível, com envolvimento da maioria. Todo mundo gosta, está no sangue do brasileiro”, explica.

Instrumento de cidadania

Na opinião de Jacaré, a bola é apenas um instrumento no projeto que promove, acima de tudo, a educação. Por se tratar de um campeonato escolar, os atletas obrigatoriamente precisam estar regularmente matriculados. “No Bom de Bola eles aprendem a respeitar, a ganhar e a perder. Se os alunos não se tornarem jogadores, serão grandes cidadãos e é muito gratificante trabalhar em um projeto que tem esse objetivo”, comemora o professor.

A ideia de promover a educação por meio do esporte segue um novo perfil de atletas estimulado por clubes profissionais. Segundo Jacaré, algumas equipes o procuram para indicar jogadores com determinadas características, sendo que uma coisa é unânime. “Os times buscam atletas que também se dedicam aos estudos. A carreira no futebol é difícil, às vezes a pessoa não consegue decolar, então tem que ter educação para poder alcançar outro trabalho”, explica.

Toda essa dedicação à formação de jovens atletas e pessoas íntegras tem um retorno. Natural de Jaguari, o professor Jacaré ganhou, entre outras homenagens do município, o título de cidadão sarandiense. Mas o maior presente vem dos boleiros formados por ele. “Eles ligam e me visitam quando estão na cidade, além de mandar mensagens pelo celular. Eles reconhecem o trabalho realizado e essa gratidão é o melhor prêmio do mundo”, finaliza com orgulho.