Uma trajetória ligada ao Bom de Bola

15/06/2016

Luciano Heck tem sua história muito próxima ao Bom de Bola, pois apesar de ser graduado em Turismo o hoje diretor de Esportes da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) segue há tempos o caminho do futebol. Desde então se envolveu em vários momentos com o projeto que une gramado e educação em todo o sul do país.

Natural de São José, Heck jogou sua primeira edição do Bom de Bola aos 10 anos, em uma época que não havia a idade mínima de 12. Por isso teve a oportunidade de jogar quatro vezes o torneio, vivendo a transição entre o formato em que cada município estabelecia uma seleção com seus melhores atletas para o esquema atual, em que cada escola monta sua equipe e joga uma etapa municipal pelo direito de representar sua cidade.

Anos depois voltou a se envolver com o projeto. “Fui trabalhar com ações sociais na periferia, em comunidades carentes que tinham altos índices de criminalidade e onde o foco era colaborar com o Bom de Bola. Essas crianças não tinham documentos, então chamávamos pessoas de delegacias próximas para irem à escola e regularizá-las”, relembra. A passagem de Heck rendeu frutos também dentro de campo. “Claro que o título é o que menos importa, mas eu fiquei lá três anos e essa geração foi campeã por seis”, conta.

A proximidade com o crime era uma realidade nas comunidades em que Luciano atuou como professor, mas ele acredita que o esporte ajudou a tirar muitas crianças deste caminho. “Posso garantir que, sem o projeto, no mínimo 40% dos meninos teriam se envolvido com o crime, pois era um universo muito próximo. A partir do momento em que começamos a falar sobre a importância do projeto, conseguindo documentos e encontrando estágio para quem estourava a idade de participação, mudamos esta realidade”, explica.

Parceria

Heck enxerga na parceria entre Fesporte e Instituto Parati para a realização do Bom de Bola em Santa Catarina um valor que vai além da execução do campeonato em si. “A Fesporte desenvolve 11 projetos e todos têm sua importância para a socialização e comportamento em grupo. Mas o Bom de Bola é hoje o que tem a maior abrangência - alcança 213 cidades, ou seja, 72% dos municípios catarinenses - o que demonstra a sua força”, avalia.

Para Heck o evento ainda tem potencial para ser maior, já que os cortes de repasses impediram que fosse oferecido o transporte de equipes de municípios mais distantes, situação que deve mudar no próximo ano.

Mulheres no projeto

O Bom de Bola rende bons frutos no futebol masculino. Vários atletas de destaque passaram pelos campos do projeto no Paraná, Rio Grande do Sul ou Santa Catarina, como Douglas, do Grêmio; Filipe Luís, do Atlético de Madrid e seleção brasileira, e Fernandinho, do Manchester City. Porém o legado para o futebol feminino pode ser ainda maior.

“O projeto existe só no sul do país e atrai muitas meninas de fora. A equipe campeã da Copa do Brasil feminina é de Caçador, em Santa Catarina, composta por muitas atletas que jogaram o Bom de Bola. Antes as meninas não queriam jogar, tinham vergonha, mas hoje a qualidade é muito alta. Já tem muitos times, tanto masculinos quanto femininos, que têm treinadoras”, finaliza.