Miguel e o futuro do tetracampeão Recriarte, de Camboriú

29/11/2016
Carlos Stegemann

Miguel Pereira tem apenas 11 anos e uma rotina voltada para o futebol. Os treinos diários na escolinha pela manhã e às vezes no laboratório do Atlético Paranaense à tarde são complementados com momentos de descontração em um bate-bola com o pai nas inúmeras balizas espalhadas pela orla de Balneário Camboriú.

Natural de Londrina, no Paraná, Miguel foi morar em Balneário Camboriú há um ano, pois a mãe tinha o sonho de morar perto do mar. O garoto estuda no Centro Educacional Recriarte, escola tetracampeã do Bom de Bola e que em 2016 acabou na terceira posição. O garoto jogou poucos minutos da partida contra a escola Neuza Osteto (Araranguá) que rendeu o bronze, mas impressionou quem o viu tocar na bola.

Na lateral do campo, todos brincavam com seu marcador pedindo mais espaço para o garoto, que tinha pelo menos 30 centímetros de desvantagem na estatura, mas o zagueiro não dava sossego, acompanhando a movimentação de Miguel. Quando recebeu sua primeira bola, o pequeno prodígio deu três dribles desconcertantes no grandalhão antes de passar a bola para um companheiro. “Desde o primeiro jogo contra eles eu fiquei admirando o tamanho dos zagueiros, mas não tenho muito medo”, resumiu após a partida.

O garoto, que se inspira em Messi e Neymar, valorizou muito o seu primeiro Bom de Bola. “Foi muito legal, ainda mais com os amigos do lado. Penso que tenho muito a aprender. É muito bom ter os amigos junto, eles jogam muito. Sem eles eu não seria nada em campo”, descreveu.

Miguel tem a sorte de fazer parte de um projeto maior, capitaneado pelo professor Gilvan Meireles desde 2002 no Recriarte, sendo a sexta participação no Bom de Bola. “Demos bolsas escolares aos atletas que não poderiam estudar, juntando a qualidade técnica com a educação. Desde então trouxemos bons resultados, sempre ficando entre os três primeiros. Nos últimos cinco anos, fizemos cinco finais”, conta.

O garoto ganhou oportunidade na equipe porque o elenco ficou desfalcado por uma boa razão. “Cinco garotos titulares de 14 anos não vieram por indisciplina. Isso é uma forma de educar. Claro que eles ficaram sentidos, alguns até vieram aqui assistir, mas isso vai servir de lição para eles e exemplo para os outros. Valorizamos quem segue as regras”, explica o professor.

O sonho de Miguel de ser o próximo Messi ou Neymar não pode tropeçar na bola e o garoto tem consciência disso. O garoto diz que só tem um pouco de dificuldade em matemática – “mas vou passar no resto das matérias” – e tanto o colégio quanto o professor Gilvan não deixarão que o desejo de se tornar jogador se torne um impeditivo para a educação. “Nós formamos o cidadão e a competição ajuda a formar o atleta”, finaliza.

Foto: Carlos Stegemann