Simplicidade e união são as palavras-chave dos campeões de Biguaçu

30/11/2016
Carlos Stegemann

O prognóstico no começo da competição não era dos mais animadores os meninos do Colégio Incentivo de Biguaçu. Uma derrota por 1x0 na primeira partida contra a equipe da casa Escola Estadual São Ludgero deixava a equipe em uma posição delicada para buscar seu bicampeonato no Bom de Bola. A equipe então mostrou grande poder de reação com cinco vitórias seguidas que levaram o time ao título no último domingo (27). Na final, uma convincente vitória por 3x1 contra o Colégio Elias Moreira, de Joinville.

A conquista foi muito comemorada por dezenas de amigos e familiares que viajaram quase 200 km para acompanhar as finais em São Ludgero. “É muito bom entregar esse primeiro lugar para essas famílias, que me dedicaram esses meninos. Todos que conhecem meu trabalho sabem a importância do que estou falando. Sabe que não é só buscar e colocar para jogar bola. É ensinar a ser cidadão”, resumiu o sentimento após a partida o treinador Paulo Ricardo de Faria.

Gustavo Marcelino Coutinho é um dos destaques desta equipe do Colégio Incentivo. O garoto tinha apenas 3 anos quando o colégio ganhou seu primeiro título do Bom de Bola, mas também sabe da importância deste bicampeonato. “Quebramos um jejum de 11 anos sem título. Lutamos muito, só a gente sabe por todas as dificuldades que passamos. Quero agradecer a todo mundo que veio de Biguaçu”, declarou. E já deixou o recado: “Próximo ano vai dar a gente de novo”.

O garoto, que se espelha no meia croata Luka Modric, do Real Madrid, é direto sobre seu futuro no futebol. “Acho que todo mundo na cidade tem o sonho de se profissionalizar, não sou diferente”, disse.

Gregory Pereira é outro que merece destaque nesta equipe. O goleiro reserva de 13 anos pode até ser baixinho para a posição – diz não saber sua altura exata, mas a mãe diz que tem menos de 1,50 m – mas se agigantou diante dos adversários quando a equipe estourou o número de faltas coletivas no segundo tempo da final e defendeu uma cobrança de tiro livre direto, segurando a vantagem no placar. Filho de professora, Greg é bom aluno. “As notas são boas”, disse o garoto ao lado da mãe após a partida. E quando perguntado sobre o que pensa em seguir como carreira, não pensa duas vezes: advogado.

Após o apito final, o professor Ricardo demonstra que conseguiu alcançar seu objetivo para além do mérito desportivo. “Não é só ensinar a jogar bola, é mostrar o significado de palavrinhas como simplicidade e união”, finalizou, em meio a toda a torcida que invadiu o campo para celebrar a conquista. Pela alegria no rosto de todos ali, dá para perceber que as lições de Ricardo foram absorvidas pelos garotos.

Foto: Carlos Stegemann