Lourdes Lago: um alento para Chapecó em meio à tristeza da perda

30/11/2016
Carlos Stegemann

A cidade de Chapecó, no oeste catarinense, e todo o mundo do esporte sofreu um grande baque com o trágico acidente que vitimou a delegação da Associação Chapecoense de Futebol, que viajava para enfrentar o Atlético Nacional, da Colômbia, pela final da Copa Sul-Americana na madrugada de terça-feira (29). Se a morte de 71 pessoas, entre atletas, comissão técnica, repórteres e tripulantes é irreparável, pelo menos um alento surge no oeste catarinense com o título feminino da Escola Estatual Lourdes Lago no Bom de Bola em São Ludgero no último domingo (27).

A partir de 2019, as equipes da América do Sul que pretendem disputar a Copa Sul-Americana ou a Libertadores devem manter um time de futebol feminino. O Verdão do Oeste se adiantou e já em 2016 iniciou o projeto, mantendo equipes sub-14 e sub-17. “Fizemos uma seletiva em janeiro que atraiu várias meninas da região. É o trabalho de base que começa. A gente tem um projeto legal com a Chapecoense e escolhemos o sub-14 para ser referência por causa do Bom de Bola”, explicou o professor Amauri Giordan após a vitória por 1x0 sobre a equipe da escola Vidal Ramos Júnior, de Concórdia, que rendeu o título às suas atletas.

Uma das garotas que se beneficiará dessa parceria entre Lourdes Lago e a Chape é Bruna Santos Nhaia, autora do gol do título. A garota afirma que brinca com bola desde os 3 anos e hoje, aos 14, pode vislumbrar uma carreira no esporte. “Quando eu tive foco e acreditei, com muita força de vontade, eu consegui chegar aqui. Tem que ter vontade para conquistar seus objetivos”, afirma sobre o sonho de se profissionalizar.

Apesar da pouca idade, Bruna tem consciência de que não pode deixar os estudos de lado. “Minhas notas são boas, nunca tirei nenhuma abaixo da média e pretendo continuar assim, jogando futebol, mas focada nos estudos. Sei que o jogador tem uma carreira curta, então quero dar sequência aos estudos”, disse orgulhosa.

Para o professor Amauri, o caráter educativo foi reforçado após uma mudança na forma de disputa do Bom de Bola. “O projeto é referência de educação através do esporte há mais de 20 anos e depois de 2000, quando a competição passou a ser por escolas, isso se fortaleceu ainda mais. As crianças começam o ano já esperando a formação das equipes para poder participar”, explica.

Chapecó está enlutada com a perda de todo um time que estava em seu melhor momento e trazia alegrias não só para a cidade, mas também para toda região Oeste e até para o Brasil com a campanha na competição continental. O surgimento desta equipe, no entanto, pode voltar a abrilhantar os gramados do Verdão e devolver o sorriso desse povo que verá crescer um novo esquadrão, desta vez formado por jovens guerreiras que poderão, no futuro, representar com muita honra o escudo da Chapecoense.

Foto: Carlos Stegemann