Bia, campeã do Bom de Bola, adotou e foi adotada por Chapecó

13/12/2016
O jeito simples não desmente suas palavras: Bia continua sendo a mesma adolescente tímida e focada em seus projetos, apesar de reconhecida como uma das melhores goleiras do futebol feminino do Brasil, com quatro convocações consecutivas para a seleção brasileira. Beatriz Bueno Nicolate, 14 anos, chamada para vestir a amarelinha desde os 10, é natural de Americana, no interior de São Paulo (região metropolitana de Campinas) e estuda e joga há dois anos pela Escola Estadual de Educação Básica Lourdes Lago, de Chapecó. “Jogar na seleção é motivo de orgulho, mas, ao mesmo tempo, não é nada demais. Preciso continuar fazendo meu trabalho”, responde ela, do alto de seus quase 1,70m de altura.
 
A vinda para Chapecó rendeu alguns problemas com o clima da cidade, muito mais frio do que em sua terra natal, mas também uma nova paixão: agora é torcedora da Chapecoense, onde também treina. Mora em alojamento, adaptou-se muito bem à nova escola, mas sente falta da mãe, Fabiana Bueno, de 44 anos. “Em Americana já sofri um pouco de preconceito, me zoavam porque jogava futebol, diziam que eu parecia menino. Mas aqui todos me apoiam e respeitam, tenho muitos amigos”, relata. Os sonhos são óbvios: envergar a camisa de um grande clube da Europa e a seleção principal de futebol feminino do Brasil. A alternativa é igualmente pretensiosa – ser psicóloga, mesmo sabendo que o curso é difícil e exige muita leitura.
 
 
A mãe é decoradora de interiores e em 2017 muda de domicílio, para eliminar “os mil quilômetros de saudades”. Para ela, Bia vai conseguir o que desenhar como futuro: “ela é tranquila, amável, obediente e esforçada”. “A Escola oferece uma sustentação incomparável, tenho muita confiança e gratidão”, reconhece Fabiana, que foi a São Ludgero para acompanhar a fase final do Bom de Bola.
 
Bia, que ao final sagrou-se campeã do Bom de Bola de Santa Catarina em 2016, é a prova irrefutável da boa política da Lourdes Lago.