Dos gramados do Bom de Bola para auxiliar de arbitragem

19/12/2017
Carlos Stegemann/PalavraCom
Filhas de um agricultor apaixonado por futebol, que também atua como técnico de equipes amadoras, as gêmeas Deise e Daiane Bellaver, de Faxinal dos Guedes, recordam com muito carinho das primeiras partidas em um Bom de Bola, há 15 anos, aproximadamente. “Jogamos a etapa estadual pela Escola Tertuliano Turíbio de Lemos e chegamos até as quartas de final”, recorda Daiane (foto acima). Na edição de 2017, em Itapiranga, as irmãs de 29 anos integraram a comissão de arbitragem da competição e atuaram em muitos jogos.
 
Graduadas em Educação Física e trabalhando com esporte no município em que nasceram, as jovens reconhecem o quanto a competição forjou suas escolhas e sonhos. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso, Daiane abordou as expectativas geradas pelo Bom de Bola nos alunos-atletas e como elas eram correspondidas. Ambas foram atletas profissionais de futebol e se separaram ao jogarem por diversos clubes dos quatro cantos do país, para depois iniciarem na arbitragem por incentivo de colegas e amigos. “No Bom de Bola percebemos que era possível nos realizarmos na vida fazendo o que nos mais gostávamos: estar dentro das quatro linhas. A diferença é que hoje corremos ao longo da lateral”, explica Deise (foto abaixo), que integra o quadro da CBF desde 2014.
 
 
Deise e Daiane ainda esperam por mais oportunidades na profissão, majoritariamente composta por homens. “Afirmamos nossas qualidades com muita preparação, mesmo sofrendo ressalvas simplesmente pela condição feminina. Quando um árbitro ou auxiliar erra, é por que está mal posicionado. A mulher é por que está despreparada. Precisamos mudar isso”, concluem.