Atletas da Espanha e Uruguai: “disputar o Bom de Bola é especial”

02/11/2018

“Participar do Moleque Bom de Bola é uma experiência incrível”. “Jogar nesta competição tem um significado especial, pois aqui tem boas jogadoras”. As palavras saem da boca de duas atletas precedidas de choro, já que acabaram de perder uma partida e sabem que o resultado significou a eliminação. 

Os depoimentos das personagens em questão são da uruguaia Nara Abigail, 12 anos, e da espanhola Martina Fiscina, 13, estudantes da Escola Estadual Professor José Rodrigues Lopes, de Garopaba, que disputam a etapa estadual do Moleque Bom de Bola em Quilombo.

Nesta sexta-feira, dia 2, elas perderam por 4 a 0 a última partida da primeira fase da competição e com duas derrotas e apenas uma vitória deram adeus ao torneio. O revez foi contra a Escola Estadual Vidal Ramos, de Concórdia, atual campeã do Moleque, que, com três vitórias em três partidas, está classificada às quartas de final.

Goleira e estudante da 7ª série, Nara mora em Garopaba há quatros anos. “Minha irmã é cabeleireira e conseguiu um emprego em Garopaba. Meus pais vieram trazer ela aqui e se encantaram com o local. Aí eu vim também. Meu pai, que é corretor de imóveis, me visita a cada 15 dias”, conta. Natural da cidade de Tacuarembó, a cerca 400 quilômetros da capital, Montevidéu, ela diz que sonha jogar profissionalmente e jogar na seleção Brasileira.  “Aprendi jogar aqui e por isso que sonho em defender as cores do Brasil”, diz.

A espanhola Martina (com a bola), da Escola Estadual Professor José Rodrigues Lopes, de Garopaba (Foto: Antonio Prado)

Esse sonho de chegar ao topo é também o objetivo de Martina, já o país em que pretende brilhar é outro. “Queria ser jogadora da seleção argentina, pois morei um tempo por lá, tenho amigos lá e quem sabe um dia não posso conseguir realizar esse sonho”, revela.

Estudante da 8ª série e natural da cidade de Alicante, a 440 quilômetros de Madri, a meia-atacante está há sete anos em Garopaba. “Meu pai é pintor e minha mãe trabalha em padaria e lá na Espanha eles estavam desempregados. Vieram para trabalhar em Garopaba, por um intermédio de um amigo, e estamos lá até hoje”, conta.

Para Martina o seu time só não foi mais longe no Moleque Bom de Bola por falta de concentração. “Na fase eliminatória (na microrregional e na seletiva) marquei 15 gols, mas aqui, em Quilombo, faltou foco ao nosso time. Por isso nós perdemos”, lamentou.

Mas, para Nara e Martina, só o fato de poder participar de uma etapa estadual do Moleque Bom Bola já é uma vitória. “Estar aqui jogando futebol é muito bom”, destaca Nara. A miga, Martina, vai na mesma direção. “Estar aqui jogando com as amigas é uma experiência incrível e única, pois há muitas meninas que queriam estar aqui e não conseguiram chegar nesta fase estadual”. 

Neste sábado, 3, o Moleque Bom de Bola entra na fase de quartas de final e semifinais totalizando 12 jogos divididos nos campos do Internacional, Gandini, Juventude e SER Quilombo. Neste domingo, 4, a competição encerra com as finais no campo do SER Quilombo. A final feminina começa às 9 horas e a masculina às 10h15.

Fonte: Antonio Prado / Fesporte